Cuidado com seus pedidos
Eu nunca fui muito supersticiosa, achava graça de gente (também conhecido como pessoa da minha família, com quem mantenho contato estreito e pediu para permanecer anônima(o)) que apostava corrida com gato preto só para que ele não pudesse lhe cruzar o caminho e todo ano colocava Santo Antonio de ponta-cabeça no copo para arranjar casamento (e amedrontrar os sobrinhos que viam ali tendências sádicas de chefe-de-grupo-de-tortura).
Mas eu acredito em Deus e que Ele alcança pra quem espera ou ajuda quem cedo madruga, mesmo que tenha que caminhar em linhas tortas para chegar aos insones, enfim, eu acredito na providência Divina.
O problema é que todos sabemos que para dar uma mãozinha a bilhões de almas terrenas aflitas Ele deve ter um time porreta de ajudantes, assistentes, gerentes, sub-gerentes, superintendentes, etc... e aí junta uns terráqueos aqui e ali que não sabem pedir direito (tipo, fazendo simpatia: que ajudante de Deus deveria ter que adivinhar que ver a dona com um grão de feijão no bojo esquerdo do sutiã dela significa mandar pretendente aqui para baixo?) com uma porcentagem do “Sky Team” que deve ser surdinho/lerdinho e... eu diria que “isso vai dar merda, capitão!”
Quer ver um potencial? Eu fui hoje ver Hamlet, com o Wagner Moura. E é fenomenal, a melhor peça que eu já vi em muito, muito tempo.
Aliás, referenciada pela obra de Shakespeare que traz a peça dentro da peça, peço pausa no post para dar minha impressão sobre o espetáculo ***indicação rasgada mode on***
Pra começar, imagina um texto de Shakespeare tão bem traduzido, que não traz a argumentação para o coloquial (porque senão perde a genialidade e, admitamos o charme de Shakespeare) mas se faz contemporâneo. É atual. E sendo atual, causa identificação. E causando identificação é teatro, dos bons. Como o personagem mesmo cita (em adaptação livre), é espelho da sociedade contemporânea, que imagino, é o que o dear Bill-o-bardo pretendia desde o século XVI. Fenomenal.
Depois, Wagner Moura impressiona. Muito. Ele traz emoção, naturalidade, sinceridade para a peça que (depois descobri) ele ajudou a produzir. E contrasta isso, muito inteligentemente, com um tratamento de palco simples; que se despe de cenários, figurinos e iluminações rebuscadas. São 10 atores, (Caio Junqueira e Fábio Lago também ótimos) que contam com suas atuações para emocionar. E só, sem mais grandes recursos.
E dá certo. A peça é cara demais (impecilho importante para a expectativa do próprio Wagner Moura que em entrevista disse que gostaria que o público de Tropa de Elite fosse vê-lo no teatro), é longa e mesmo assim vale a pena. Se meu bolso permitir eu repito.
***ok indicação rasgada mode off – voltando a temática original***
Na saída, uma amiga me liga para perguntar porque eu não apareci para a pizza de finalzinho de fim de semana que eu havia combinado com ela as 20:30hs (a peça é longa, como eu disse).
Eu expliquei que estava saindo do teatro e comecei a tecer elogios a peça, terminando com aqueles comentários sumariamente inúteis: “...e além de ser ator competente, o Wagner Moura ainda é lindo. Se não fosse casado eu pedia a Deus que mandasse pra mim”
Resposta: “olha pra cima, grita alto e eu faço uma simpatia daqui, quem sabe? Agora, jura que você quer mesmo o Wagner Montes pra você?”
Parei subitamente, muda e em pânico: será que algum ajudante de Deus ouviu o impropério? Será possível que a esta hora, amanhã, eu possa estar fazendo jantar para o manquetolinha do Show de Calouros, perseguida por uma Sonia Lima possessa, correndo atrás de mim pau de macarrão em punho e flor tropical balançando atrás da orelha esquerda?

E o pior de tudo, será que meus relacionamentos até hoje foram fruto de falta de dicção perante o staff divino? Ok, resolução de início de semana: segunda-feira eu procuro uma fono.
Está bem, não resisti. Por via das dúvidas, lá vai:
Para conquistar uma pessoa que nem repara que você existe: Junte cinco fios de seu cabelo com mais cinco fios do cabelo dele (será que se eu subir no palco em um ato tresloucado e arrancar 5 fios da cabeça dele, ele ainda vai se interessar?). Enrole os cabelos com um pedaço de pano e embrulhe junto com um anel novo, que nunca tenha sido usado. Deixe o amuleto bem perto do próprio coração durante nove dias. Passado esse período, dê o anel de presente a tal pessoa, que logo vai reparar em você e poderá até acabar se apaixonando
3 coisas: 1 - vou ter que dar uma Wando -novamente tresloucada - e jogar o anel no palco?
2– simpatia cara essa, 2 ingressos adicionais (pra chegar no palco) e um anel novou!
3 – depois desse gasto todo ainda tem um “poderá até”? Gasta primeiro e nem tem certeza? Hum, acho que vou continuar sendo descrente das simpatias...
3 Comments:
Não precisa ficar descrente, não! Vou te mandar um frasco com a periquita da bôta direto do Ver-o-Peso!
É tiro e queda. Só não sei de quem...
mas meu problema não é um "não ter"... meu problema é um "ter errado"!
e duvido que a periquita de bota tenha alguma segmentação de mercado mais precisa....
Então junta a periquita da bôta com os fios de cabelo!
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